ESPAÇO E SOCIEDADE

Exposição apresenta 18 mapas de cidades em que se fala português. Brasil, Portugal e países de África e da Ásia estão representados

A exposição deu-se a partir de pesquisas desenvolvidas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo com base na abordagem teórico-metodológica Teoria da Lógica Social do Espaço ou Sintaxe Espacial. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Compreender similaridades nas cidades do Rio de Janeiro, Lisboa (Portugal), São Tomé (São Tomé e Príncipe) ou Macau (China) é uma das questões presentes nas pesquisas que resultaram na exposição Forma e Sintaxe: a Linguagem Diversa das Cidades.

 

A mostra originou-se de pesquisas desenvolvidas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UnB), no grupo de pesquisa Dimensões Morfológicas do Processo de Urbanização (DIMPU) e no Laboratório de Configuração Arquitetônica (Config.arq).

 

Desde 2011, o docente do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPG-FAU) Valério Augusto Soares junto à professora do Departamento de Projeto, Expressão e Representação em Arquitetura e Urbanismo (PRO/FAU) Vânia Raquel Loureiro coordenam as pesquisas que abordam a arquitetura de alguns locais, por meio da Teoria da Lógica Social do Espaço ou Sintaxe Espacial, com objetivo de formar base de dados para investigar a estrutura de cidades de países lusófonos.

Docentes Vânia Raquel Loureiro e Valério Augusto Soares, responsáveis por coordenar as pesquisas que resultaram na exposição junto à coordenadora do Laboratório de Configuração Arquitetônica (Config.arq), Ana Paula Gurgel. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Segundo o professor, a arquitetura deve ser acionada para entender o quanto o aspecto das cidades atua e age com uma série de efeitos na rotina da comunidade. “Por exemplo, podemos pensar a forma trazendo efeitos para a mobilidade, estados de preservação e poluição. Portanto, a base em si serve para comparar com um conjunto de elementos que afetam a vida cotidiana”, aponta.

 

Na exposição estão dispostos os mapas de 18 cidades, produzidos por uma ferramenta computacional, que calcula as características urbanas de cada cidade, como explica a coordenadora do Config.arq, Ana Paula Gurgel: “Com os resultados, os pesquisadores conseguem, a partir de uma perspectiva comparada, avaliar esses espaços e perceber o que [as cidades] podem ter em comum e diferente entre si”.

 

DO ATLÂNTICO AO PACÍFICO – os projetos de pesquisas Uma herança do ultramar: análise da configuração urbana em cidades lusófonas; A camada da informalidade: processos de segregação socioespacial em cidades de origem portuguesa eRaízes da forma e processos de organização: aproximações e afastamentos entre a urbanização brasileira e portuguesa são as bases de conteúdo para a concepção da mostra.

 

Para a produção das pesquisas, foi aplicada a metodologia Sintaxe Espacial (Teoria da Lógica Social do Espaço), que analisa a composição do espaço construído nas cidades. A abordagem foi criada durante os anos 1970 pelos arquitetos ingleses Bill Hillier, Julienne Hanson e um grupo de pesquisa da University College London, no Reino Unido.

 

“A teoria trabalha a representação como um sistema, seja um espaço planejado ou não, que recebeu um projeto do poder público, a imposição colonialista ou uma estrutura desenvolvida pela própria população”, destaca a professora Vânia.

 

“Quando olhamos pelo viés da Sintaxe Espacial, existe uma ordem que é possível de ser lida, isso significa uma valorização daquele espaço. Assim, é uma teoria que parte desse pressuposto de ler a organização espacial sem a leitura prévia do que é ordem”, completa.

 

Durante o processo de criação das pesquisas, a equipe perpassou pelo desafio da reprodução do espaço. “A representação é também uma maneira de dominação. No Google Street View, por exemplo, é perceptível a distinção entre a cobertura de uma cidade europeia para uma africana, na qual há apenas pequenos trechos de assentamento urbano”, ressalta o docente Valério.

“É necessário ver a forma para entender a sociedade, porque o que nos interessa é a comunidade, não a geometria, sem tirar a sua importância”, ressalta o professor. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

RESULTADOS– As pesquisas, que realizaram o mesmo percurso de estudo, receberam financiamento do Programa de Iniciação Científica (PIBIC/UnB), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF), além da participação de pesquisadores e discentes da graduação, mestrado, doutorado e outros níveis acadêmicos.

 

De acordo com o professor, os resultados não são para apontar se a cidade é de uma determinada forma, mas, identificar possibilidades diante da diversidade de cenários na relação de países de língua portuguesa.

 

“É necessário entender que esses países são heterogêneos em sua formação e tiveram, em algum momento, uma administração política comum e em seus vários níveis de gestão, gerando determinadas regras, ou modos de fazer a cidade”, explica.

 

No campo acadêmico, o docente indica a abordagem da Sintaxe Espacial como processo de ensino aplicável para os discentes. “Na arquitetura e urbanismo, por vezes, fala-se em planejamento, e o pensamento automático é regularidade, padrão. Então, é observar que tudo é relevante, espaço e planejado, a única variação é o grau desse planeamento ou de poder central e local”, diz.

 

EXPOSIÇÃO – A mostra é um pré-evento para o 2º Simpósio Brasileiro de Sintaxe Espacial organizado pelo Config.arq, que ocorrerá em 2024 de forma online. Mais informações estão disponíveis no Instagram@sintaxebrasil

 

A visitação à exposição acontece na Embaixada de Portugal em Brasília (Setor de Embaixadas Sul, quadra 801, lote 2) em dias úteis, das 9h às 13h, e permanecerá até 31 de janeiro.

 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.