UNB 59 ANOS

Compostos por plantas de ciclo curto, eles embelezam o campus Darcy Ribeiro com espécies tropicais e nativas do Cerrado

Os jardins temporários serão refeitos anualmente. Foto: Julio Pastore/CPJ UnB. Arte: Igor Outeiral/Secom UnB

 

Na próxima quarta-feira (21), a Universidade de Brasília completa seus 59 anos. Como se soubessem da data especial, os jardins do Instituto Central de Ciências (ICC), no campus Darcy Ribeiro, iniciaram o mês de abril floridos. Plantas tropicais e nativas do Cerrado dão um toque especial ao corredor e aos canteiros laterais do prédio, compondo os chamados jardins de sequeiro. As áreas verdes foram repaginadas pela equipe do projeto de extensão Museu das Flores.

 

Segundo Julio Pastore, professor da Faculdade de Medicina Veterinária (FAV) e coordenador do projeto, a ideia veio da vontade de aproveitar a área dos canteiros do ICC, que não tinha constância no trabalho paisagístico: “Veio da beleza do prédio e do fato de o vão central estar todo sem vegetação permanente, só com plantas espontâneas, que nascem e morrem com a chuva”. Para a concepção e implantação, houve ainda parceria do arquiteto da Prefeitura da UnB Matheus Maramaldo e da Coordenação de Parques e Jardins (CPJ/PRC), da qual Pastore também está à frente.

 

Feitos por semeadura direta, em dezembro de 2020, os jardins de sequeiro têm baixa manutenção e são chamados assim pois não são irrigados. Na área verde do edifício, foram semeadas apenas plantas de ciclo curto, justamente aquelas que aproveitam a chuva. A intenção é que, conforme a leva atual for secando, seja feito novo plantio com sementes coletadas da leva anterior.

A coleta de sementes será realizada, provavelmente, até maio. Elas serão destinadas para uma nova edição dos jardins do próprio ICC e a outras áreas verdes do Darcy Ribeiro. Foto: Desirée Salvatore

    

Enquanto nos jardins laterais do ICC as espécies semeadas são tropicais – a maioria de meia-sombra e de uma formação mais parecida com a da Mata Atlântica –, no vão central predominam gramíneas nativas do Cerrado e outras vegetações anuais, como zínia, margarida, mostarda, rúcula e linhaça.

 

A beleza das plantas não pode ser conferida diretamente no campus Darcy Ribeiro nas atuais circunstâncias de crise sanitária, mas pode ser vista em imagens. “A gente não sabia o rumo que a pandemia ia tomar, mas já estava com o projeto e já tinha feito todo o trabalho de conseguir as sementes, que têm prazo de validade. Então não valia a pena perder tudo”, explica Pastore.

 

De acordo com ele, a vegetação, por ser do Cerrado, tem uma demanda muito menor de água durante a seca, fato que facilita os cuidados com os jardins. “Eles estão fisiologicamente preparados para isso”, diz o coordenador de Parques e Jardins.

 

Ainda segundo o docente, o projeto é um experimento e a ideia é afinar o funcionamento dele a cada ano: “É uma proposta muito diferente de tudo que já existe estabelecido em paisagismo. Acho que ela é completamente inovadora”.

 

UnB COLORIDA – Julio Pastore conta que as primeiras discussões sobre o projeto foram realizadas na disciplina Paisagismos, Parques e Jardins, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV). O docente também é responsável pela criação de um jardim experimental com plantas do Cerrado, na ala sul do ICC, que tem uma linguagem parecida: naturalista e voltada para a flora do Distrito Federal (DF). 

 

Em outras atividades acadêmicas, ideias similares também contribuíram para deixar a Universidade mais florida. No verão de 2020, foi ofertada pela primeira vez a disciplina Cerrado – experiência e invenção, que ocorreu no Centro de Estudos Avançados do Cerrado (UnB Cerrado) com os professores Alex Calheiros, do Departamento de Filosofia, e Patrícia Gomes, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Durante a atividade foi criado no Centro um projeto de jardim com espécies nativas.

 

Este e o implantado na ala sul do ICC se diferenciam, no entanto, do jardim de sequeiro quanto ao ciclo: os dois primeiros são perenes, enquanto o outro é temporário.

 

Outradisciplina, concebida no âmbito do projeto Museu das Flores e oferecida pela FAV e a Prefeitura da UnB, resultou, em 2019, na revitalização dos jardins do viveiro próximo à Maloca com espécies do Cerrado. A iniciativa envolvia estudantes no aprendizado teórico e prático do manejo de jardins temáticos, incluindo aspectos como técnicas de cultivo, irrigação, adubação, até o projeto paisagístico.

 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB

 

** Matéria atualizada em 16 de abril, para correção e acréscimo de informações

 

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